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Trilha registrada por Robson Fernando Duda em 18/04/2025, com última atualização em 23/06/2026
Fique sempre atento à data de atualização dos textos. Eles são feitos com base em nossas trilhas e podem estar desatualizados em razão do tempo da última visita.
Entre os campos de altitude de Bom Jardim da Serra existe um lugar ainda pouco conhecido, mas que certamente figura entre as paisagens mais impressionantes da Serra Catarinense. Conhecido como Cânion do Portal, esse trecho localizado entre os cânions das Laranjeiras e do Funil reúne imensos paredões, vales profundos e uma curiosa formação rochosa que deu origem ao seu nome. Foi para conhecer de perto esse espetáculo natural que nosso grupo partiu para mais uma aventura pelas montanhas do sul do Brasil.
Para iniciar a caminhada, é preciso seguir até a Fazenda Mato Preto, localizada a cerca de 10 quilômetros do centro de Bom Jardim da Serra. O acesso é feito quase inteiramente por estradas de chão que, em geral, apresentam boas condições de tráfego. Apenas os últimos dois quilômetros exigem um pouco mais de atenção dos motoristas, mas nada que torne obrigatório o uso de veículos com tração 4x4.
O ponto marcado no Google Maps serve como uma boa referência para chegar à região. No entanto, o trajeto registrado encerra antes da sede da fazenda. A partir desse ponto, basta continuar pela mesma estrada de acesso e, após passar por uma propriedade rural, seguir pela descida à esquerda até chegar ao destino.
No caminho, é necessário atravessar um pequeno riacho, mas nada que impeça a passagem. Mesmo carros pequenos e sem tração conseguem ultrapassar o obstáculo sem maiores dificuldades.

Como a Fazenda Mato Preto é uma propriedade privada, é indispensável entrar em contato previamente com o proprietário para solicitar autorização de acesso. Esse procedimento é importante, pois existe um controle de entrada realizado pelo caseiro responsável pela fazenda.
Ao chegar, há espaço suficiente para estacionar os veículos com segurança e iniciar a caminhada rumo ao Cânion do Portal.
Com as mochilas organizadas e os últimos ajustes feitos, iniciamos a caminhada seguindo pela esquerda da sede da Fazenda Mato Preto. Logo nos primeiros metros, já adentramos os vastos campos de altitude característicos da região e encontramos os primeiros charcos do percurso.
Para quem costuma caminhar pela Serra Catarinense, esse é um termo bastante conhecido e, muitas vezes, temido. Os charcos são extensas áreas alagadas ou encharcadas que se formam sobre os campos de altitude e estão presentes em boa parte das trilhas da região. Em alguns pontos, basta um passo em falso para afundar na vegetação encharcada e terminar a caminhada com os pés molhados. Por isso, o uso de botas impermeáveis é altamente recomendado.
Após vencer os primeiros trechos alagados, a caminhada segue predominantemente pelos campos. Árvores e capões de mata são raros e, quando aparecem, normalmente servem apenas como pontos de referência em meio à imensidão da paisagem. Essa característica proporciona uma sensação constante de amplitude, com o horizonte se estendendo em todas as direções enquanto avançamos rumo ao cânion.
Após percorrer os primeiros quilômetros pelos campos de altitude, chegamos a um dos pontos mais esperados da caminhada: uma pequena cachoeira escondida em meio às coxilhas da Serra Catarinense.

Sem grandes quedas, o local chama a atenção pela harmonia da paisagem. O curso d'água corre suavemente pelos campos até despencar em uma curta queda, formando um poço de águas cristalinas cercado por gramíneas e afloramentos rochosos. Em dias de tempo firme, como o que encontramos durante a travessia, o contraste entre o verde dos campos e o azul intenso do céu torna o cenário ainda mais bonito.
A cachoeira também é um excelente ponto para uma breve pausa. Foi ali que almoçamos antes de seguir para o ponto de acampamento, próximo à borda do cânion. Além de permitir recuperar o fôlego antes de prosseguir a caminhada, o local oferece uma das primeiras oportunidades para apreciar com calma a tranquilidade e a grandiosidade dos campos de altitude que caracterizam toda essa região de Bom Jardim da Serra.
Após o almoço, seguimos mais alguns quilômetros pelos campos de altitude e finalmente chegamos ao local escolhido para montar acampamento. Situado próximo à borda do cânion, o ponto oferece uma das vistas mais impressionantes de toda a travessia.
Aos poucos, os campos começaram a dar espaço às bordas dos cânions, e a vista do horizonte passou a ser interrompida por enormes bancos de nuvens que pareciam brotar do fundo dos vales. O contraste entre os paredões rochosos, os campos dourados e o mar de nuvens criava uma paisagem que parecia uma pintura.

Até aquele momento, a caminhada seguia por terrenos relativamente suaves, entre coxilhas, banhados e pequenos cursos d'água. Mas bastam poucos passos em direção à borda para que a paisagem se transforme completamente. O terreno parece simplesmente desaparecer sob nossos pés, dando lugar a imensos paredões rochosos que despencam centenas de metros em direção ao vale.
Foi nesse momento que tivemos a primeira dimensão real da grandiosidade do Cânion do Portal. Da borda, é possível observar uma sucessão de montanhas, vales e escarpas que se estendem até o horizonte. As formações rochosas, esculpidas pela ação do tempo, criam cenários impressionantes e ajudam a explicar por que esse lugar é considerado um dos mais belos da Serra Catarinense.

Antes mesmo de iniciar a montagem das barracas, passamos um bom tempo explorando os arredores e contemplando a paisagem, aproveitando cada ângulo antes que o sol começasse a se aproximar do horizonte.
Depois de aproveitar bastante a vista e explorar os arredores, chegou a hora de montar o acampamento. Escolhemos uma área relativamente plana, protegida dos ventos mais fortes e com uma vista privilegiada para os paredões do cânion.

Com as barracas montadas, o ritmo da caminhada deu lugar à tranquilidade característica dos acampamentos em montanha. Enquanto alguns organizavam os equipamentos e preparavam o jantar, outros simplesmente aproveitavam o espetáculo proporcionado pelo fim de tarde. Aos poucos, a luz dourada do sol foi tomando conta dos campos de altitude, transformando completamente a paisagem.
À medida que o sol se aproximava do horizonte, os tons amarelados da vegetação ganhavam ainda mais destaque, criando um cenário que parecia ter saído de uma pintura. O silêncio dos campos, interrompido apenas pelo vento e pelas conversas do grupo, tornava aquele momento ainda mais especial.
Era difícil não parar por alguns instantes para contemplar a paisagem e pensar na sorte de poder passar a noite em um lugar tão remoto e privilegiado da Serra Catarinense.
Chave: trilhasemsc@gmail.com
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Sempre que visitar um local desconhecido, procure por condutores locais autorizados. Faça turismo seguro.
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